07/12/2016

RESENHA: Legend - Marie Lu


Legend é o primeiro livro da trilogia homônima, escrita pela autora Marie Lu e relançada no brasil pela editora Rocco. Apesar de não focar no governo opressor em si, o livro é uma das distopias que vem ganhando mais espaço no editorial nacional. Os direitos para uma adaptação já foram vendidos, e o roteiro é esperado para 2017.



Nome: Legend 
Série: Trilogia Legend (#1)
Autora: Marie Lu
Editora: Rocco
Páginas: 256
Ano: 2014 
Classificação★★★ (3,5 estrelas)
Sinopse: O que antes for a o Oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação perpetuamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite, June é um prodígio prometida ao sucesso no círculo militar do país. Nascido nas favelas, Day é o criminoso mais desejado do país. De mundos diferentes, June e Day jamais cruzariam o caminho do outro, até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Presos em um jogo de gato e rato, Day está correndo para salvar a vida de sua família, enquanto June deseja vingar a morte de Matias. Mas em uma chocante reviravolta os dois descobrem até onde seu país está disposto a ir para guardar seus segredos.



  June é a garota prodígio da republica; aos 10 anos, conseguiu atingir a rara pontuação máxima n'a prova. O teste, obrigatório para todos os habitantes da Republica, aplica exames físicos e mentais para determinar a aptidão geral da criança. Aqueles que conseguem chegar aos 1.500 pontos, como June, têm a um futuro prospero garantido dentro dos mais altos cargos do congresso. Aqueles que recebem de 1.450 á 1.499 também recebem apoio do governo, com universidade de qualidade e ensino médio garantidos, além de um contrato de emprego com a republica. Aqueles que conseguirem de 1.250 á 1.449 também tem faculdade e ensino médio garantidos, em escolas de média/boa reputação. Já aqueles que marcam menos de 1.250 pontos são automaticamente listados como inúteis, sendo impedidos de estudar e/ou trabalhar. Nos casos em que a criança marca menos de 1.000 pontos, a família é obrigada a assinar um contrato passando sua custódia para a republica, e a criança é enviada para o campo de batalha. Como recompensa, a família recebe mil notas, a moeda local.





"Ele receia que alguma coisa possa acontecer comigo um dia, como o acidente de carro que matou nossos pais. Esse medo está sempre estampado em seu rosto." June, pag 25




 Day é um dos que marcaram menos de 1.000 pontos. Sendo obrigado a abandonar a família e tudo o que conhece, o menino se depara com um destino muito diferente do proposto pela republica. Ele consegue escapar do trágico final, mas as marcas de ser um exilado o acompanham por muito tempo. Legend começa a contar a estória dele com 15 anos, quando já é sabotador profissional dos projetos da Republica. Os dias do garoto são resumidos em cuidar da sua família - que não sabem que ele continua vivo, com exceção de seu irmão mais velho -, e atrapalhar os planos do congresso. Apesar de já ter sido convocado para se aliar ás colônias, o garoto continua trabalhando independentemente, somente com a companhia de Tess, sua melhor amiga.




"Minha mãe costumava ter a esperança de que eu renasceria das minhas humildes raizes, de que me tornaria bem-sucedido, e até famoso. Famoso eu sou, mas não da forma que ela tinha em mente" - Day, pág 27




  Day e Tess conseguem viver como fugitivos por anos, até que o destino coloca June em seus caminhos. A garota fora designada para caçar Day após o garoto ter assassinado Metias, o próprio irmão de June, dando mais que um tom profissional para a caça. Em seu primeiro contato, nenhum dos dois sabe da identidade do outro, mas se ajudam e seguem o mesmo caminho por alguns dias.
E é nesse ponto que meus problemas com o livro começaram.





 "Não serei autorizada a forçar Day a vir a mim, o que só me deixa uma opção: eu vou ter de ir atrás dele." - June, pag 73






   O relacionamento da June com o Day acontece de forma inexplicavelmente corrida. A autora tentou fazer a química acontecer, mas pelo menos para mim não deu muito certo. Ou eles estavam desconfiando um do outro, ou estavam se beijando. Desde o primeiro contato dos dois senti que ia dar nesse romance água com açúcar, indo até mesmo contra a personalidade dos próprios personagens nas primeiras anteriores. Tem também o fato de que, de uma hora para outra, a June suspeita de que o garoto com quem divide a viagem seja o Day, mas não faz nada a respeito. A autora usou muito a técnica Deus Ex Machina (resolução inverossímil dada a um problema dramático) no livro, me incomodando bastante pela falta de planejamento e edição. Sério, dava pra ter jogado algumas pistas sobre tais coisas nem que sejam cinco paginas antes... mas ela as faz acontecer de repente, sem mais nem menos, deixando por opção do leitor engolir aquilo ou não. Algumas vezes os personagens pareceram verdadeiros X-Men, descobrindo coisas impossíveis para eles no momento.





"A Sensação dos lábios de Day, nosso beijo ardente, as mãos dele tocando minha pele... isso não pode significar mais nada para mim. Menos que nada." June, pág 123.




 Mas, mesmo com esses defeitos, me vi torcendo pelo casal. Ele mostra, além de um romance impossível, as diferenças sociais. June começa o livro desprezando totalmente as pessoas mais pobres, deixando a imaginar que, se Day não tivesse cortado seu destino, ela se tornaria tudo aquilo que foi criada para ser; fria, cruel e indulgente. As mudanças em sua personalidade ocorrem gradualmente, nunca chegando a ficar forçada ou surreal.
 A construção dos personagens também foi um ponto positivo do livro. Como é narrado pelos dois protagonistas, fiquei com um pé atrás pela possibilidade de ser igual convergente, chegando a nos obrigar a ler o nome no começo do capitulo pra detectar quem está narrando. Mas não, a autora conseguiu distinguir muito bem as personalidades e narrações, nunca desviando os personagens de seus princípios (tirando na parte do romance, claro).




"Se você quiser se rebelar contra o siste,a, faça-o de dentro dele. Isso é muito mais forte do que se rebelar estando fora do sistema. E se você escolher se revoltar, leve-me com você." - Metias, pág 203




 Mas, mesmo que os personagens e as situações sociais tenham sido ótimas, um ponto primordial me impediu de me render totalmente a Legend. A autora simplesmente não construí um mundo distópico. Em jogos vorazes, Divergent, O teste e outras distopias, esse diferencial é sempre o que chama a atenção. Em jogos vorazes temos os jogos, em Divergente as provas, e em legend... ERROR 404 NOT FOUND.
 A autora pegou o básico dos básicos pra construir a republica, não chegando nem a detalhar a opressão da qual os cidadães sofrem. Pegue um dicionário, vá até a palavra distopia e pronto! você tem o plot de Legend.
 Se ela tivesse desenvolvido melhor a sociedade criada, acredito que as coisas se encaixariam melhor. Mas, até o momento, a trilogia não me empolgou. O máximo que conseguiu foi me deixar com a pulga atrás da orelha em relação ás sequencias, mas nada no nível de me fazer pegar o segundo pra ler imediatamente.


Resumindo: Gostei do livro, mas o mesmo não conseguiu me prender totalmente. Apesar da trama bem construída, o plano de fundo ficou bastante frágil. O livro não segue o clichê das distopias, mas também não tem identidade própria. Recomendo? Sim, mas não por Legend e sim pela sua sequência, Prodigy. Planejo postar uma resenha sobre o segundo volume até a próxima quarta, mas já adianto que o livro me surpreendeu bastante, recebendo 5 estrelas

14 comentários:

  1. Nunca li essa trilogia, e pra ser bem sincera essa é a primeira vez que leio uma resenha sobre o livro. Como você disse, achei legal a premissa, mas nada tão surpreendente que me fizesse ter vontade de ler, vamos esperar até a próxima resenha e ver se ai sim, bate a super vontade de ler ;)

    Beijos


    http://www.entrelinhaseparagrafos.com.br/

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    1. Pois é, Bárbara!
      A premissa do livro em si é bem fraca. A autora só foi conseguir solidificar o enredo em si no segundo volume, que é sensacional.
      Obrigado por acessar e comentar o blog! Abraços :))

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  2. Oi Fábio!! Esse livro é mais um que comecei a ler ilegalmente (sinto um pouco de vergonha por isso), e não gostei. Eu tinha altas expectativas a respeito, e quando dei início achei um lindo enredo para um péssimo romance. Os personagens não me convenceram, mesmo a premissa sendo incrível. Abandonei e por fim não quis investir nos exemplares físicos.
    Agora, seu comentário final me deixou maluca aqui. Vou esperar pela resenha do segundo livro.
    Beeijos ♥
    http://lua-literaria.blogspot.com.br/

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    1. Haha foi o mesmo caso comigo, acredita bia?
      Minhas expectativas com Legend estavam lá no alto, e a queda foi dura. Mas estou feliz por ter lido e chegado no segundo; espero expressar meu agrado com ele na resenha. Quem sabe não te impulsiona a voltar à leitura, né? Haha
      Abraços! :))

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  3. Parece um livro bem legal, ainda não tinha ouvido falar, mas sua resenha me deixou bem interessada. Parece diferente dos livros sobre distopias que tem um protagonista oprimido lutando contra o governo. É uma pena que a autora não desenvolva bem a sociedade, mas quem sabe ela não mostra mais disso nos próximos livros?
    Enfim, de qualquer forma eu achei bem interessante.
    Abraços!
    Eating Peanuts

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    1. Exatamente, Karina
      A autora saiu do clichê distópico em varias coisas, mas não soube construir o plano de fundo :/
      Mas, já li a sequência, e posso te dizer que melhora bastante! Ela conserta 90% dos erros que cometeu em legend...
      Abraços!

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  4. Hey!

    Nunca li essa série e na verdade nunca me chamou tanto a atenção, apesar de eu gostar desse tipo de história...
    Pena que não te agradou tanto também..

    Beijos!

    ooutroladodaraposa.com.br

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    1. Olá!
      Realmente, se não é um gênero que tu curte, acho que nem a continuação poderia agradar. Mas a vida é curta pra gastar com livros que fogem do nosso interesse, né? haha
      Abraços!

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    1. Olá, Luiza!
      Termina sim, acho que a continuação vai te surpreender tanto quanto surpreendeu a mim! rs
      Abraços!

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  6. Oi! Eu ia ler este trilogia e acabei lendo primeiro Jovens de Elite, que amei. Assim que finalizar mergulho nesta, quero conferir a resenha dos outros.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Olá, Cida!
      Boa leitura! Jovens de elite está na minha lista para janeiro de 2017, com a escrita da autora duvido não gostar.
      Abraços!

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  7. Fabio,

    Eu achei a capa do livro um arraso, mas não sou muito fã do gênero distopia, eu comecei a ler o Admirável Mundo Novo e achei a leitura muito massante, apesar de entender a importância do assunto abordado pelo autor. Não sei se gostaria desse, mas se tiver um tempinho de sobra no ano que vem, vou tentar colocá-lo na lista, porque todo mundo fala muito dessa trilogia!
    Abraço, meu amigo! Seu blog é ótimo! Adorei sua visita ao meu!
    Até mais!

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    1. Olá, drica!

      Entendo, apesar de amar distopias, acho aquele gênero que você precisa estar no momento, sabe? Mas essa trilogia fugiu um pouco disso, então recomendo mesmo pra você :)

      E muito obrigado! Adoro seu blog, inclusive estou indo lá agora haha

      Abraços!

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